Paróquias e Misericórdias, unidas na luta contra a pobreza

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Os sacerdotes que exercem o seu múnus pastoral nas paróquias dos concelhos de Alijó e Murça, Arciprestado Douro II, habitualmente reúnem–se uma vez por mês, como fazem os restantes párocos. Deste encontro mensal, normalmente consta a celebração da Eucaristia, uma reunião de trabalho terminando com uma refeição em comum.

No passado dia 11 de Janeiro, este encontro teve lugar na paróquia de Vilar de Maçada e foram convidados a participar os provedores da Santa Casa da Misericórdia de Murça, sr. Belmiro Vilela, e da de Alijó, sr. João Manuel. Face à crise económica, que já se faz sentir, e social que tende a agravar-se, os párocos e provedores começaram por constatar que os maiores problemas se centram entre as pessoas idosas. Ambos os concelhos possuem populações bastante envelhecidas, um despovoamento agravado pela baixa taxa de natalidade e um êxodo de gente nova que não pára de emigrar. Apesar de, neste momento, as Misericórdias terem 102 lugares em Murça e 60 em Alijó, para idosos em internamento, completamente preenchidos, as listas de espera são longas. No concelho de Alijó, em diferentes freguesias, vão aparecendo alguns lares, pertença de associações, mas nem mesmo assim, são suficientes para as solicitações. O mais preocupante é a desumanidade e até casos de maus tratos a que estão sujeitos alguns idosos, mesmo até por parte da suas próprias famílias. Paróquias e Misericórdias vão dar as mãos, a fim de sensibilizarem a todos, particularmente, os mais novos, para o "lugar do idoso na família".

Ambas as Misericórdias, praticamente, só possuem como fonte de receita o resultado dos acórdãos de cooperação. Os mecenas deixaram de existir, os utentes de lar e creches são pessoas com parcos recursos e reformas muito baixas, o património existente em pouco contribui para as receitas. As dificuldades financeiras são algumas e os constrangimentos a que estão sujeitas por parte do Estado criam sérias dificuldades a prestarem, não só, serviços com qualidade, mas também a tornarem efectivas as obras de misericórdia.

Párocos e provedores estão de acordo, que os focos de pobreza, nesta zona pastoral, estão ligados à deficiente formação humana e cultural, normalmente relacionada com casos de alcoolismo e toxicodependência.

O falta de emprego é preocupante. Mesmo até no mundo agrícola se faz sentir. Por um lado, a descida dos preços do vinho e azeite, entre outros produtos; por outro, a forte mecanização, que se fez sentir no passado recente, no mundo da agricultura, levou a que muitas quintas e proprietários já não requisitem mão-de-obra, como no passado. A fixação de pessoas torna-se difícil e os que ficam, com ordenados muito baixos, sentem sérias dificuldades em cumprirem compromissos assumidos, concretamente com a banca. É o aparecimento da pobreza envergonhada.

Face a esta realidade, párocos e provedores, chegaram à conclusão que paróquias e Misericórdias possuem um património espiritual e humano riquíssimo, apesar dos parcos recursos económicos, que vão colocar ao dispôr dos casos mais aflitivos, vai ser criada uma equipe, que implemente formas de combate à pobreza e ponha ao dispor dos mais necessitados o "património" material e espiritual que possuem.

Pe. Sérgio Dinis

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